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Guia On Line de Clínica Buiátrica Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho |
Acidose lática ruminal
O acúmulo de líquido no interior do rúmen comumente é provocado pelos quadros de acidose lática ruminal. A afecção ocorre em animais que ingerem grande quantidade de carboidratos, fato que ocorre em alimentação excessivamente rica em grãos. Os carboidratos vão ser fermentados pelas bactérias ruminais e a produção excessiva de ácido lático determina o quadro. Diversas formas clínicas e complicações da doença podem ocorrer.
Na forma aguda, a presença de grandes quantidades de ácido lático no rúmen altera sua osmolaridade e faz com que o organismo capte água dos tecidos e jogue-a no interior do rúmen. Os animais afetados, além da dilatação abdominal e dos sintomas gerais, podem apresentar dor e até sinais nervosos. O exame do suco de rúmen mostra um pH abaixo de 5. Deve-se proceder à ruminotomia imediatamente, com o completo esvaziamento do rúmen. Uma vez retirado o conteúdo ruminal pode-se fazer uma lavagem da parede com solução fisiológica levemente aquecida. No final deve-se colocar um pouco de feno de boa qualidade, 5 a 10 litros de suco de rúmen são, 1 kg de levedura de cerveja ou fermento de padaria e 2 litros de uma solução contendo 250g de carbonato de cálcio, 500g de açúcar e 0,5g de cloreto de cobalto. Deve-se, ainda, fazer a aplicação intra-venosa de grandes quantidades de ringer com lactato para se combater a desidratação e a acidose metabólica que se instala.
A forma crônica é menos evidente e os animais apresentam-se ligeiramente apáticos e hiporéticos. O suco de rúmen apresenta pH de 5 a 5,5 (o normal é de 5,5 a 7). O principal problema da forma crônica são as suas complicações. A acidose permanecendo por longo tempo no rúmen provoca a inflamação de sua mucosa (ruminite) chegando a ocorrer a formação de úlceras ruminais. Através destas úlceras ocorre a penetração de bactérias as quais, pela microcirculação regional, podem atingir outros órgãos, como o fígado e o baço, aonde provocam abscessos. Tais abscessos são comumente encontrados após o abate de animais criados intensivamente nos confinamentos de engorda. Outra complicação da forma crônica é a laminite. Trata-se de um distúrbio da circulação dos cascos que determina dor e claudicação. Acredita-se que a relação da laminite com a acidose crônica seja a excessiva liberação de histamina que ocorre nestes casos. A terapia da acidose crônica consiste basicamente na correção da dieta, diminuindo-se a quantidade de ração e aumentando a quantidade de volumosos. Pouco pode ser feito nos casos de abscessos hepáticos e esplênicos (via de regra são achados de necrópsia). Nos casos de laminite, podem ser usados anti-inflamatórios esteróides (Azium®) ou não esteróides (Butazolidina®). Pode-se acrescentar bicarbonato de sódio a 1% na ração dos animais.