Guia On Line de Clínica Buiátrica
Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho

Fasciolose

Doença causada por um trematódeo, Fasciola hepatica, que lesa o fígado principalmente de ovinos e bovinos. Os parasitas migram pelo parênquima hepático até se localizarem nos ductos biliares. A doença vem ganhando importância em bubalinos.

É uma zoonose além de acarretar sérios prejuízos econômicos. Sua presença vem sendo assinalada nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil.

A existência da doença depende da disponibilidade de hospedeiro intermediário, caramujos anfíbios do gênero Lymnae, dos quais os parasitos saem para ficar no capim (forma infectante).

A sintomatologia varia com a fase do envolvimento hepático e da espécie parasitada. Nos ovinos os casos costumam ser mais graves que nos bovinos. Os quadros poderão ser agudos, principalmente em ovinos, subagudos e crônicos -forma mais comum em bovinos nos quais freqüentemente passa a ser achado de matadouro.

Na primeira fase da doença, ocorre lesão hepática e hemorragia provocadas pela migração do parasita no parênquima (35-45 dias). Na segunda fase ocorre atividade hematofágica e lesão da mucosa causada pelos espinhos cuticulares do parasita adulto.

O comprometimento do fígado, dependendo da intensidade, pode levar a emaciação, depressão, perda de peso, desidratação, icterícia, edema e/ou ascite, anemia, pelagem grosseira ou lã quebradiça, constipação ou diarréia e morte (principalmente ovinos).

Outras doenças podem levar à lesão hepática e a comprovação da fasciolose depende da presença de ovos nas fezes, dos próprios parasitas na necrópsia, história de fasciolose na propriedade e presença dos hospedeiros intermediários. A dosagem sérica das enzimas gama-GT e AST pode indicar lesão hepática que ocorre nestes quadros.

Os animais devem ser tratados e removidos para pasto drenado e descontaminado. Pode ser usada a rafoxanida, na dosagem de 10 mg/kg VO (Ranide®). Fazer dois tratamentos, o segundo duas a três semanas após a troca de pasto. Quando não for possível remover os animais do pasto contaminado, repetir o tratamento com intervalos de 3 semanas, até 6 semanas após a última morte.

O controle pode ser feito reduzindo-se a população de hospedeiros intermediários e empregando-se o rafoxanide.

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