Guia On Line de Clínica Buiátrica
Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria, Leptospira interrogans, com vários sorovares, uma zoonose, possui diversas formas clínicas e acomete todos os mamíferos domésticos.

Animais portadores e convalescentes, silvestres e domésticos eliminam a leptospira pela urina e funcionam como reservatórios da doença (o rato geralmente, é reservatório permanente) contaminando águas de fluxo lento (poças, lagoas, etc.) e a partir da urina destes animais.

A sintomatologia vai depender do sorovar envolvido, em ruminantes, geralmente há uma discreta manifestação, podendo passar desapercebida, ou se manifestar por abortamentos (abortamento leptospiral é mais comum em bovinos e mais raro em caprinos e ovinos) por volta do quinto mês de gestação (sempre variando com a fase da gestação e o agente infeccioso). Bezerros fracos ou mortos podem ser paridos à termo. Bezerros e cordeiros podem apresentar síndrome hemolítica com maior freqüência que animais adultos e nestes casos o quadro clínico é mais evidente podendo apresentar icterícia, hemoglobinúria, hemorragias petequiais, anemia, febre e agalactia (fêmeas em lactação). Casos mais graves são raros em ruminantes e podem apresentar nefrite intersticial, insuficiência hepática e uremia.

O diagnóstico pode ser feito através da sorologia.

O tratamento para infecção sistêmica é preferencialmente a base de estreptomicina 12 mg/kg PV, duas vezes ao dia, por três dias, IM ou diidroestreptomicina, 25 mg/kg PV, dose única em todo o rebanho para combater a leptospirúria de animais portadores em caso de surto (Estreptomicina®, Pentabiótico veterinário®, Pentabiótico reforçado®, Pentacilin®, Agrovet®). Quadros hemolíticos podem requerer transfusão concomitante (ver procedimento em verminose), fluidoterapia para manter a função renal. Tecidos abortados devem ser manipulados com cuidado por serem contaminantes (ao homem, outros animais, água, etc.). Existem esquemas de vacinação indicados mas deve-se observar o sorovar predominante da região e estabelecer as limitações da vacina. É importante combater coleções de água que tendam a estagnar por poderem servir de fonte de infecção.

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