Guia On Line de Clínica Buiátrica
Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho

Babesiose/anaplasmose

O complexo anaplasmose-babesiose, popularmente chamado de "tristeza bovina" ou plasmose bovina, é uma hemoparasitose (hemopatia de origem parasitária) causada por um protozoário (babesiose-Babesia bovis, Babesia bigemina etc) e por uma rickettsia (anaplasmose-Anaplasma marginale), ambos parasitos de eritrócitos.O carrapato (Boophilus microplus) é o transmissor e responsável pelo contínuo contato entre parasita (babesias e anaplasmas) e hospedeiro (principalmente bovinos) exigindo que o organismo do animal mantenha constante controle da parasitemia.

A doença se manifesta quando o animal entra em contato com o parasita pela primeira vez (p.ex. animais importados, transferidos de regiões isentas da doença para regiões enzoóticas), quando ficam muito tempo sem contato com o carrapato ou quando debilitados (resistência diminuída). A transmissão também pode ocorrer por via transplacentária e iatrogênica.

Tanto na babesiose quanto na anaplasmose (podem ou não estar associadas), o animal apresenta síndrome febre e anemia. Na anaplasmose, as hemáceas parasitadas são sequestradas e destruídas no baço (anemia autoimune) e na babesiose ocorre hemólise intravascular (anemia hemolítica), nesta última, a hemoglobina livre - hemoglobinemia - pode levar à icterícia e hemoglobinúria. Surtos agudos levam, inicialmente, à anemia macrocítica. Pode ocorrer abortamento. Quando o animal foi exposto anteriormente à infecção ou quando a espécie do parasita em questão é de baixa patogenicidade, os sintomas são discretos. A infecção por B. bovis é considerada mais patogênica e uma pequena parasitemia pode levar a hematócritos muito baixos além da capacidade de ativar certos componentes plasmáticos que induzem à estase circulatória, choque e coagulação intravascular que, principalmente no cérebro, promovem importante lesão tissular (nestes casos ocorre sintomatologia nervosa e geralmente morte). Sintomas cerebrais podem ser confundidos com Raiva e outras encefalites.

O diagnóstico é feito através da sintomatologia e exame hematológico (pesquisa de hemoparasitas e hemograma). A pesquisa dos hematozoários em esfregaço sanguíneo corado com Giemsa é mais indicado na fase febril aguda, fora desta fase torna-se difícil ou mesmo impossível encontrá-los na circulação.

O tratamento para babesiose é a base de quimioterápicos como Ganaseg® e Beronal®. Para anaplasmose, usa-se a tetraciclina - 10 mg/kg durante 3 dias (Terramicina LA®, Terramicina®, Talcin®, Oxivet LA®, Oxitac®, Oxiritard®, etc). O imidocarb (Imizol®) é um quimioterápico que atua em ambas enfermidades. Geralmente, os animais tratados passam a ser portadores crônicos, resistentes à episódios posteriores. Assim, tratamentos que objetivem a completa eliminação dos hemoparasitas, descartam o estado de portador crônico mas deixam o animal sensível a uma reinfecção. Alguns casos podem requerer a utilização de anti-térmicos (Novalgina®, D500®), fluidoterapia e transfusão de sangue (ver procedimentos para transfusão em verminose).

A profilaxia inclui a premunição de rebanho oriundo de região isenta de carrapatos e/ou de babesiose e anaplasmose.

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