Guia On Line de Clínica Buiátrica
Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho

Pneumonia enzoótica dos bezerros

A penumonia enzoótica dos bezerros é uma doença multi-fatorial presente em animais de muitas propriedades leiteiras. Apesar do nome, acomete com freqüência cabritos. Vários agentes estão envolvidos, tal como Mycoplasma mycoides, Pasteurella spp, o vírus da Parainfluenza (PI-3). Bactérias inespecíficas também estão presentes. São agentes oportunistas e instalam-se secundariamente sendo, entretanto, responsáveis pelo agravamento do quadro inicial. O prognóstico do caso depende da intensidade desta infecção secundária. Dentre as principais bactérias encontram-se Staphylococcus aureus, Streptococcus spp, Actinomyces pyogenes e Escherichia coli.

O tratamento pode ser feito com antibióticos: enrofloxacina (Baytril®, Flotril® ): 2,5 mg/kg, danofloxacina (Advocin®): 1,25 mg/kg, tilosina (Tylan®): 25 mg/kg (dose inicial 50 mg/kg), lincomicina + espectinomicina (Linco-Spectin®): 15 mg/kg, espiramicina (Rovamicina®): 25 mg/kg, oxitetraciclina (Terramicina®, Bisolvomycina®): 5 a 10 mg/kg (não atua sobre micoplasmas).

Outros medicamentos: como coadjuvantes podem ser usadas substâncias mucolíticas como o iodeto de potássio ou o cloridrato de bromexina (Bisolvon®). Em casos avançados pode ser necessária a aplicação de broncodilatadores (Aminofilina®) e mesmo a oxigenioterapia.

No controle das enfermidades respiratórias dos ruminantes as defesas orgânicas desempenham um papel muito importante. As medidas sanitárias a serem adotadas visam, desta forma, manter essas defesas em sua máxima capacidade. Para este efeito deve-se respeitar as seguintes normas:

  • evitar que as instalações de manejo sejam muito expostas ao vento e frio, preocupando-se, todavia, com a adequada ventilação do ambiente.

  • as camas devem ser trocadas sempre que a umidade e o teor de urina estejam muito elevados.

  • não se deve usar camas e rações que produzam muito pó.

  • garantir que os recém-nascidos recebam o colostro nas primeiras horas de vida e tratar adequadamente o umbigo desses animais.

  • manter uma rigorosa higiene ambiental e evitar condições estressantes como manipulações desnecessárias dos animais e super-população.

  • manter os animais em bom estado sanitário combatendo sistematicamente a existência de doenças intercorrentes.

    Por fim, cuidado especial deve-se ter na aquisição de animais prevenindo, assim, a introdução de novas doenças no rebanho.

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