Guia On Line de Clínica Buiátrica
Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho

Raiva

A raiva é uma zoonose provocada por um vírus do gênero Lyssavirus e família Rhabdoviridae. É uma doença bastante prevalente no Brasil. A forma mais comum de contaminação de bovinos é através da mordedura de morcegos hematófagos portadores do vírus.

O vírus causa uma encefalomielite e os sintomas nos bovinos são variáveis. Os animais podem apresentar sintomas digestivos com anorexia, timpanismo leve, diminuição dos movimentos ou atonia do rúmen e fezes ressecadas as vezes permanecendo retidas no reto. Em seguida pode haver alterações comportamentais em aumento da exitação sexual, meneios de cabeça e olhar fixo.

Em alguns casos há um comportamento de agressividade ( raiva furiosa) onde os animais podem apresentar movimentos bruscos de cabeça, ataques a pessoas e outros animais ou objetos como cercas e árvores. Outros sinais comuns, são sialorréia, ranger de dentes, paralisia de músculos faciais, protrusão de língua e paresia de membros. De qualquer maneira, pode-se dizer que a raiva nos ruminantes não possui uma sintomatologia única e característica.

Devido à gravidade da zoonose, deve-se fazer o diagnóstico diferencial em qualquer situação em que haja suspeita de envolvimento encefálico.

O diagnóstico é feito com base no histórico, observação dos sinais e exames de laboratório. Os animais suspeitos de apresentarem a doença devem ser mantidos isolados e em observação. A amostra ideal para diagnóstico é o encefalo do animal afetado. É importante, porem, jamais sacrificar o animal, pois o abate precoce pode prejudicar o diagnóstico. Um exame falsamente negativo pode trazer graves conseqüências às pessoas que manipularam o animal. A raiva usualmente mata o animal em 3 a 5 dias depois do início dos sintomas. Assim, tem-se por norma aguardar 10 dias antes de descartar a possibilidade de raiva.

O encéfalo colhido pode ser enviado ao laboratório sob refrigeração ou em solução de glicerina tamponada.

O clínico deve manipular os animais doentes com todos os cuidados, usando luvas, óculos e roupas apropriadas. As autoridades em epidemiolgia devem ser comunicadas, sobretudo quando pessoas tiverem contato com o animal raivoso. Em locais em que a raiva é endêmica deve-se vacinar o rebanho anualmente e providenciar o controle de morcêgos hematófagos.

* * *