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Guia On Line de Clínica Buiátrica Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho |
| Plano geral do exame clínico em ruminantes |
Exame das mucosas e dos linfonodos
Mucosas
Nos ruminantes devem ser examinadas as seguintes mucosas: oculares (palpebral superior, palpebral inferior e terceira pálpebra), vaginal, prepucial, nasal e bucal. O exame das mucosas oculares deve ser realizado abrindo-se as duas pálpebras e pressionando-se ligeiramente a porção dorsal do globo ocular para que haja a protrusão da terceira pálpebra. A mucosa vaginal é observada afastando-se os lábios vulvares. A mucosa prepucial pode ser observada através da exteriorização do pênis em pequenos ruminantes ou revertendo-se a extremidade do prepúcio em bovinos. A mucosa nasal pode ser acessada diretamente ou afastando-se ligeiramente as bordas da narina. Finalmente, a mucosa bucal é examinada através da reversão dos lábios, principalmente do inferior.
Alguns cuidados devem ser tomados no exame das mucosas. Em primeiro lugar, o animal deve estar contido adequadamente, principalmente para se avaliar a mucosa prepucial de touros. Além disso, deve-se considerar a possibilidade das mucosas serem pigmentadas, principalmente a bucal e a nasal. Devem ser examinadas todas as mucosas de um animal, pois muitas vezes as alterações podem estar restritas a uma delas e pode dar uma falsa idéia de um processo generalizado.
A coloração é um dos principais aspectos a ser observado no exame das mucosas. Normalmente, elas são róseo-claras e ligeiramente úmidas. Em determinadas situações elas podem se tornar avermelhadas, condição que usualmente é tratada por congestão. A avaliação das mucosas como um todo permite caracterizar se esta congestão é generalizada ou localizada. Congestão generalizada de mucosas usualmente ocorre nos processos tóxico-infecciosos sistêmicos e é acompanhada de outros sinais como febre, apatia e anorexia, como nas septicemias por Staphylococcus spp, em muitas infecções virais e em processos tóxicos como o tétano. Já a congestão localizada indica um processo inflamatório restrito à mucosa examinada. É o caso da oftlamia contagiosa dos ovinos, da vulvo-vaginite pustular infecciosa dos bovinos (IPV) e dos processos traumáticos.
Mucosas claras ou pálidas decorrem de processos anêmicos. São típicas da verminose causadas por Haemonchus spp, quando também se notam o edema de ganacha, a ascite e o emagrecimento crônico progressivo. As anemias de origem nutricional também apresentam quadro semelhante. As anemias hemolíticas, porém, não costumam estar acompanhadas de palidez de mucosas, sobretudo nos casos agudos. Nestes casos, a bilirrubinemia que decorre do processo de hemólise confere uma coloração amarelada às mucosas, típica do quadro de icterícia. Mucosas amareladas podem ser encontradas, também, acompanhando diversas doenças hepáticas.
Finalmente, mucosas violáceas são encontradas em condições de anóxia (cianose), como ocorre nas doenças cárdio-respiratórias graves e em certas intoxicações, como nos casos de intoxicações por nitritos.
Outro aspecto importante a ser observado no exame das mucosas é a sua secreção. Normalmente ela deve estar presente em quantidade moderada e possuir aspecto límpido e ligeiramente viscoso. Alterações na quantidade e no aspecto desta secreção indicam processos inflamatórios localizados.
Linfonodos
Nos ruminantes podem ser acessados normalmente os seguintes linfonodos: submandibular, parotídeo, cervical superficial (pré-escapular), sub-ilíaco (pré-crural) e retro-mamário (nas fêmeas) ou inguinal superficial (nos machos).
O linfonodo submandibular é relativamente pequeno e sua palpação não é muito fácil. Ele se encontra no terço médio da região submandibular, próximo à barra óssea da mandíbula. É comum confundí-lo com glândulas salivares, já que muitas vezes não é possível a diferenciação.
O linfonodo parotídeo encontra-se na base da orelha do animal e, analogamente ao linfonodo submandibular, sua palpação também não é das mais simples devido a certa confusão com a glândula parótida que se encontra na região.
Os linfonodos cervicais superficiais e sub-ilíacos relativamente grandes e facilmente palpáveis. O linfonodo cervical superficial pode ser palpado na fossa que se encontra no bordo cranial da escápula. Já o linfonodo sub-ilíaco pode ser palpado no terço inferior da parede lateral do abdômen do animal, pouco adiante da região da articulação fêmuro-tíbio-patelar.
Finalmente, o linfonodo retromamário encontra-se no parênquima da glândula mamária, em sua porção mais dorsal, na região de transição da glândula com a musculatura abdominal. O linfonodo inguinal superficial, nos machos, encontra-se numa posição análoga, mas sua palpação pode ser bastante difícil.
Durante o exame dos linfonodos, deve ser avaliado seu tamanho. Normalmente, esta avaliação é feita através da palpação, mas em casos intensos, pode-se detectar aumentos de volume visualmente. Várias doenças estão associadas a aumento de volume dos linfonodos. Comumente, os processos inflamatórios de uma determinada região do corpo provocam o aumento do tamanho do linfonodo regional correspondente. Algumas enfermidades, porém, relacionam-se diretamente com o aumento de volume dos linfonodos. É o caso, por exemplo, da leucose dos bovinos e da linfadenite caseosa dos pequenos ruminantes.
Outros aspectos a serem avaliados no exame dos linfonodos é sua consistência, sensibilidade, mobilidade e temperatura. Os processos inflamatórios dos linfonodos (adenite ou linfadenite) causam, além do já citado aumento de volume, uma sensibilidade local com diminuição de sua mobilidade e aumento da temperatura. Em casos de abscedação do linfonodo, a sua consistência altera-se de firme para flutuante.
Complementarmente, pode-se fazer uma punção do linfonodo afetado e observar macroscopicamente o líquido puncionado. Três características podem ser observadas: aspecto, microbiologia e citologia.