Guia On Line de Clínica Buiátrica
Maurício Garcia, Alice M.M.P. Della Libera, Ivan R. Barros Filho

Afecções do sistema respiratório

Introdução

A energia é um requisito fundamental para a manutenção da vida. Ela é necessária para a movimentação muscular, para a transmissão do impulso nervoso, para a síntese de hormônios, enfim, para praticamente todas as funções orgânicas. Através da oxidação de carboidratos e lipídeos, o organismo extrai a energia contida nos alimentos transformando-a em produtos mais assimiláveis por suas células como, por exemplo, a molécula de ATP.

Para que tal mecanismo possa ocorrer normalmente, é necessário um aporte constante de oxigênio (O2) aos tecidos e que deles seja removido o produto da oxidação do carbono, qual seja, o dióxido de carbono (CO2). Cabe ao sangue arterial a tarefa de transportar o O2 e ao sangue venoso a de remover o CO2. Entretanto, ao sangue compete apenas a tarefa de transportar esses gases. É necessária a existência de um local aonde possa ser eliminado o CO2 e captado o O2. Assim, a função primordial do sitema respiratório é a de atuar como uma interface entre o sangue e o ar através da qual possa ocorrer essa troca gasosa.

O sistema respiratório é composto pelas vias aéreas anteriores (narinas, cavidade nasal, seios nasais, faringe, laringe e traquéia), vias aéreas posteriores (brônquios, bronquíolos, dutos alveolares e alvéolos pulmonares) e pleura.

Abordagem na anamnese e no exame geral

A anamnese do sistema respiratório deve avaliar a presença de corrimento nasal anormal, tosse, espirros, dispnéia e outros sinais respiratórios. Deve ser avalidado o número de animais afetados e se houve estresse recente, como exposições, leilões, descornas e catrações. Também deve ser inquerida a condição geral do rebanho, avaliando-se as condições de confinamento (número de animais, umidade, mistura de animais de idades diferentes) e a incidência e as medidas profiláticas de certas doenças como a tuberculose e a micoplasmose.

O exame geral do animal deve dar particular ênfase àqueles sistemas que podem possuir alguma relação com o sistema respiratório. Assim é o caso do sistema circulatório (a insuficiência cardíaca pode provocar edema pulmonar) e do locomotor (a micoplasmose dos caprinos, além do quadro respiratório, também provoca artrite).

Exame das vias respiratórias anteriores

As vias aéreas anteriores são compostas pelo muflo, narinas, seios paranasais, faringe, laringe e traquéia. O seu exame se inicia pelo muflo. Em condições normais ele deve se apresentar úmido e brilhante, sem úlceras ou quaisquer outras lesões. Para se testar a umidade do muflo, pode-se valer de um papel toalha para secá-lo e observar, em seguida, o aparecimento da sua secreção normal.

Da mesma forma, as narinas devem ser inspecionadas para se verificar a ocorrência de lesões e seu corrimento deve ser avaliado. O bovino possui um corrimento seroso fisiológico que é mais abundante que o do caprino e do ovino. Alterações no aspecto (mucoso, purulento, etc.) e na quantidade deste corrimento estão associadas a distúrbios do sistema respiratório. Deve-se avaliar se este corrimento é uni ou bilateral. Muitas vezes não é possível presenciar o corrimento nasal, mas crostas ressecadas ao redor das narinas são indicadores seguros de sua ocorrência.

O ar expirado deve ser examinado, avaliando-se sua temperatura, odor e se há alguma obstrução nasal.

Os seios paranasais são compostos principalmente pelos seios frontais e maxilares. O principal método de sua avaliação é a percussão. O animal deve estar com a boca fechada e a percussão é feita com o cabo do martelo de percussão. O som normal é claro, mas pode tornar-se sub-maciço ou maciço nas sinusites. Deve-se examinar adicionalmente a região do corno, sobretudo se houve descorna recente, já que há uma comunicação do seio frontal com o corno do animal.

A região da faringe e da laringe pode ser examinada pela palpação externa ou pela inspeção, utilizando-se um espéculo tubular.

A traquéia também é examinada por palpação externa, mas a inspeção só pode ser realizada externamente. A tosse espontânea e persistente também deve ser pesquisada, já que é sinal de distúrbio respiratório. Em animais sadios, todavia, ela pode ser provocada com a compressão dos primeiros aneis traqueais ou tampando-se as narinas por alguns segundos (reflexo da tosse). Em animais acometidos de traqueíte, esta manobra provoca uma resposta mais intensa.

Exame das vias respiratórias posteriores

O exame das vias aéreas respiratórias posteriores (brônquios, pulmões e pleura) inicia-se pelo exame dos movimentos respiratórios. Para tanto, observa-se o animal por trás, avaliando-se a freqüência (10 a 30 por minuto em bovinos adultos), intensidade (moderadamente superficial) e tipo (costo-abdominal).

A respiração normal do animal recebe o nome de eupnéia. Já a respiração alterada chama-se dispnéia, que pode ser inspiratória, expiratória ou mista. A postura que o animal assume para respirar também deve ser avaliada. Em casos respiratórios avançados o animal distende o pescoço, afasta os membros anteriores e projeta a língua.

Os pulmões são avaliados basicamente pela percussão e pela auscultação. O bordo caudal da projeção topográfica do pulmão é delimitado por uma linha que vai da parte dorsal do 11º espaço intercostal até a parte ventral do 5º espaço intercostal, que corresponde grosseiramente à parte torácica indicada pelo olécrano do membro anterior. Grande parte do pulmão, porém, não pode ser acessada já que se encontra sob a escápula. Desta forma, observa-se que apenas cerca de 1/3 do gradil costal corresponde ao pulmão. O conhecimento desta particularidade anatômica é fundamental para que o clínico iniciante não tente, por exemplo, auscultar o pulmão na região correspondente ao rúmen.

Outra particularidade do pulmão dos ruminantes é sua consistente septação lobular. Tal característica permite que os processos penumônicos se restrinjam a apenas alguns lóbulos, estando outros sadios. Isto implica que o exame do pulmão deve ser feito em toda sua região acessível.

A percussão do pulmão permite avaliar o som normal que é claro. A congestão e o edema pulmonar podem alterar este som, tornando-o sub-maciço. O enfisema pulmonar, por sua vez, pode torná-lo hipersonoro e aumentar a área do campo pulmonar além de seus limites fisiológicos.

A auscultação permite identificar a passagem de ar pelas vias aéreas que produz o chamado ruído respiratório. O ruído respiratório recebe uma denominação próprio, na dependência da porção em que é auscultado. Quando se ausculta o ruído respiratório na porção ventral da região cervical ele recebe o nome de ruído respiratório laringotraqueal. Quando ele é auscultado nas porções ventrais e anteriores do pulmão ele passa a ser chamado ruído respiratório traqueobrônquico. Quando ele é auscultado nas porções dorsais e posteriores do pulmão ele é chamado de ruído respiratório broncobronquiolar.

Em casos de congestão pulmonar há um aumento na propagação do ruído respiratório, tornando-o mais audível e, algumas vezes, detectam-se batimentos cardíacos em campos pulmonares. A ausência ou diminuição do ruído respiratório também indicam alterações respiratórias, como o enfisema.

Quando há acúmulo de secreção nas vias aéreas é possível auscultar um ruído chamado crepitação, que pode ser crepitação fina ou crepitação grossa, na dependência da intensidade. A estenose das vias aéreas provoca outro tipo de ruído chamado sibilo. Os sibilos são decorrentes de edema pulmonar ou devido ao depósito de fibrina e outras secreções nas paredes da árvore brônquica.

Alguns autores descrevem um tipo de ruído auscultável no pulmão chamado de ruído cárdio-respiratório. Esse ruído seria fisiológico e provocado pela passagem de ar que ocorre devido à expansão e contração sincrônica dos tecidos pulmonares adjacentes ao coração, quando este se contrai e se dilata (diástole e sístole). Em condições patológicas, caso esta região pulmonar adjacente apresente sibilos e crepitações, esse ruído passa a ser chamado de ruído cárdio-pneumônico.

Finalmente, a pleura pode ser avaliada basicamente pela palpação quando é feita a pesquisa de frêmito ou roce pleural, caracterizado por um "ronronar" semelhante àquele produzido pelo gato. É importante, porém, saber diferenciar o frêmito pleural de um frêmito pericárdico. Tal diferenciação é feita, além da localização topográfica, pela observação da movimentação respiratória e dos batimentos cardíacos, verificando-se com qual destes há o sincronismo do frêmito.

Exames complementares

"Swab" de secreção nasal: deve ser colhido das partes mais internas da narina e enviado ao exame microbiológico.

Lavado tráqueo-brônquico: é obtido com a perfuração do espaço entre os aneis traqueais com uma agulha grossa (60x30) e a passagem de uma sonda. Feito isso, injeta-se de 30 a 50 ml de solução fisiológica estéril, aspirando-a em seguida. Também pode ser introduzida uma sonda pela narina. O material assim obtido é encaminhado para exame microbiológico ou citológico.

Tuberculina: através da aplicação intradérmica de tuberculina pode-se avaliar a presença de sensibilidade cutânea ao Mycobacterium spp, agente da tuberculose.

Lavado traquealProva da tuberculina

Exame de fezes: a pesquisa de larvas de vermes nas fezes pelo método de Baermam pode revelar a presença de parasitas pulmonares em bovinos (Dictiocaulus viviparus) e em pequenos ruminantes (Dictiocaulus filaria, Muellerius capillaris).

Ultrassonografia: possibilita a visualização de áreas de consolidação (abscessos e tumores) próximos às paredes pulmonares.

Endoscopia: para observar a bifurcação traqueal, sendo usada para a colheita de material e biópsias. Permite, ainda, a visualização dos vermes nas infestações por Dictiocaulus spp.

Radiologia: usada principalmente em pequenos ruminantes, pode revelar processos pneumônicos, através da densificação dos campos pulmonares, bem como revelar a presença de corpos estranhos nas vias aéreas anteriores.

Sorologia: emprega-se principalmente para o diagnóstico da micoplasmose em caprinos e bovinos e da rinotraqueíte infecciosa dos bovinos (IBR).

Gasometria: para a determinação da PCO2 e PO2.

Abordagem propedêutica

Qualquer que seja a sede, toda doença respiratória vai provocar uma dificuldade na captação de O2 e na eliminação de CO2. Em tais circunstâncias o sangue apresentará uma baixa concentração de O2 (hipóxia) e uma alta concentração de CO2 (hipercapnia). A maioria das alterações que ocorrem em animais acometidos por distúrbios no sistema respiratório são consequentes à hipóxia e à hipercapnia.

Para compensar a hipercapnia o organismo procura estimular a eliminação de CO2 através da hiperventilação pulmonar. Instala-se, então, a hiperpnéia que evolui para a dispnéia caracterizada por extensão da cabeça e do pescoço, dilatação das narinas, respiração bucal com projeção da língua, abdução dos membros anteriores, grunhidos e, às vezes, protrusão do ânus coincidente com a movimentação respiratória.

A hipóxia pode induzir o aparecimento de mecanismos compensatórios como a taquicardia e a policitemia por contração esplênica e estímulo medular da eritropoiese.

Animal com dispnéiaPulmão com congestão

Praticamente em todos os processos respiratórios ocorre o aumento de secreção que determina tosse e corrimento nasal. O aspecto deste corrimento, inclusive, pode caracterizar melhor o quadro. Bovinos possuem normalmente farto corrimento seroso. Já os caprinos e ovinos não o possuem. Entretanto, em quaisquer destas espécies, o aparecimento de corrimento nasal sero-mucoso, mucoso ou muco-purulento é sempre indicativo de doença respiratória. Em alguns casos também podemos observar, neste corrimento, sangue, placas necróticas e alimentos.

Dependendo da etiologia, pode-se encontrar o sangramento pelas narinas (epistáxis) e tosse com sangue (hemoptise). Sinais gerais como febre, apatia, anorexia, perda de peso e diminuição da produção de leite podem aparecer em certos casos.

O primeiro passo para se estabelecer um diagnóstico preciso é pesquisar se a sede do processo está nas vias aéreas anteriores ou posteriores. Nos processos inflamatórios do pulmão ocorre o acúmulo de sangue em seu leito vascular que determina o edema e congestão pulmonar, caracterizados por estertores úmidos, propagação de batimentos cardíacos em campos pulmonares e áreas de submacicez à percussão. O aparecimento de enfisema pulmonar se caracteriza por estertoração seca, zonas de silêncio à auscultação e hipersonoridade à percussão.

Caso nenhum dos sintomas acima sejam detectados, provavelmente se está diante de um processo das vias aéreas anteriores. Covém pesquisar, pela inspeção direta ou pelo uso de um endoscópio, a coloração da mucosa e a presença de úlceras e corpos estranhos. As inflamações são as mais frequentes e mais importantes doenças das vias respiratórias anteriores. Na dependência da porção afetada essa inflamação recebe um nome próprio, a saber: rinite para a inflamação da mucosa da cavidade nasal, sinusite para a dos seios nasais, faringite para a da faringe e laringite para a da laringe. Os vírus representam um grupo bastante especial no aparecimento de processos inflamatórios das vias aéreas anteriores. Dentre eles, podem ser citados o virús da rinotraqueíte infecciosa dos bovinos (IBR), o vírus da febre aftosa e o do ectima contagioso. Em ovinos é comum encontrar a infestação da cavidade e seios nasais por Oestrus ovis. Alguns animais apresentam problemas de natureza inflamatória por agentes não infecciosos como ocorre na inalação de vapores irritantes e nos traumatismos externos por corpos estranhos ou pela passagem inabilidosa de sondas nasoesofágicas e endotraqueais.

Os quadros inflamatórios do pulmão recebem o nome de pneumonia. A pneumonite, apesar de ser etimologicamente igual à pneumonia, representa um processo inflamatório diferente e restrito apenas ao tecido intersticial do pulmão. Analogamente a bronquite e a bronquiolite são processos restritos respectivamente aos brônquios e bronquíolos. Na prática, todavia, é muito difícil diferenciar esses processos sendo comumente adotado o termo broncopneumonia para referir-se à inflamação das vias aéreas posteriores.

O diagnóstico diferencial das diversas afecções respiratórias dos ruminantes baseado exclusivamente na sintomatologia clínica pode ser um tanto difícil. Entretanto, as evidências epidemiológicas, a porção do sistema respiratório afetada e a evolução do problema pode auxiliar um pouco. As infecções virais e por micoplasma são muito comuns em animais confinados e se manifestam de forma enzoótica (pneumonia enzoótica dos bezerros). A pasteurelose está quase sempre associada a um histórico de "stress" e costuma ter evolução rápida e fatal. Na tuberculose a evolução é crônica e os animais tendem a perder peso, apesar do apetite se manter quase normal. A pneumonia verminótica ocorre apenas em animais com acesso à pastagem, principalmente em bezerros.

Ao exame necroscópico, o aspecto marmóreo do pulmão afetado é comum a quase todas broncopneumonias. Todavia, nas dictiocauloses podem-se encontrar verdadeiros "novelos" de vermes na luz dos brônquios e traquéia. Já nas muelerioses este achado é raro pois o parasita é bem pequeno e acha-se no parênquima pulmonar. Na tuberculose avançada encontram-se granulomas, às vezes calcificados, espalhados pelo pulmão e outros órgãos. O conteúdo da traquéia pode revelar a inalação acidental de líquidos. Os abscessos pulmonares causados por germes piogênicos comuns são facilmente visíveis no exame necroscópico. O exame bacteriológico de material colhido na necrópsia pode identificar as bactérias envolvidas. No animal vivo pode-se colher material para este exame através de lavado tráqueo-brônquico.

A inflamação da pleura (pleuris ou pleurisia), por fim, é uma complicação usual nos estágios avançados das pneumonias, mas alguns agentes, como os micoplasmas, apresentam um tropismo especial para essa membrana. A pleuris aparece, ainda, na tuberculose e nos acidentes causados pela ingestão de corpos estranhos em bovinos. A presença de frêmito é característica da pleuris.

Doenças

Micoplasmose
A micoplasmose é uma doença causada por várias espécies de bactérias do gênero Mycoplasma e é altamente contagiosa. O quadro se caracteriza por artrite, pleuropneumonia, mastite e lesões oculares. A doença se transmite diretamente de uma animal para outro e muitos criadores simplesmente aprendem a conviver com ela, já que sua eliminação completa é muito difícil. Os micoplasmas estão envolvidos em várias enfermidades, como a pneumonia enzoótica dos bezerros, a pleuropneumonia contagiosa e a agalaxia contagiosa das cabras.

A sorologia é um recurso que pode ser empregado em seu diagnóstico. Quadros respiratórios podem ser diagnosticados através do exame microbiológico de lavados traqueais. Em quadros articulares pode ser feita a cultura de punção articular, a qual é serosa (diferente da purulenta da poliartrite). Uma análise microscópica de uma lâmina do material puncionado, pode ainda ser útil na diferenciação da artrite-encefalite caprina, já que no caso da micoplasmose a célula mais freqüentemente encontrada é do tipo polimorfonuclear, ao passo que no outro caso encontram-se mononucleares.

O tratamento pode ser feito com antibióticos: enrofloxacina (Baytril®, Flotril® ): 2,5 mg/kg; danofloxacina (Advocin®): 1,25 mg/kg; tilosina (Tylan®): 25 mg/kg (dose inicial 50 mg/kg); lincomicina + espectinomicina (Linco-Spectin®): 15 mg/kg; espiramicina (Rovamicina®): 25 mg/kg.

Pneumonia enzoótica dos bezerros
A penumonia enzoótica dos bezerros é uma doença multi-fatorial presente em animais de muitas propriedades leiteiras. Apesar do nome, acomete com freqüência cabritos. Vários agentes estão envolvidos, tal como Mycoplasma mycoides, Pasteurella spp, o vírus da Parainfluenza (PI-3). Bactérias inespecíficas também estão presentes. São agentes oportunistas e instalam-se secundariamente sendo, entretanto, responsáveis pelo agravamento do quadro inicial. O prognóstico do caso depende da intensidade desta infecção secundária. Dentre as principais bactérias encontram-se Staphylococcus aureus, Streptococcus spp, Actinomyces pyogenes e Escherichia coli.

O tratamento pode ser feito com antibióticos: enrofloxacina (Baytril®, Flotril® ): 2,5 mg/kg, danofloxacina (Advocin®): 1,25 mg/kg, tilosina (Tylan®): 25 mg/kg (dose inicial 50 mg/kg), lincomicina + espectinomicina (Linco-Spectin®): 15 mg/kg, espiramicina (Rovamicina®): 25 mg/kg, oxitetraciclina (Terramicina®, Bisolvomycina®): 5 a 10 mg/kg (não atua sobre micoplasmas).

Outros medicamentos: como coadjuvantes podem ser usadas substâncias mucolíticas como o iodeto de potássio ou o cloridrato de bromexina (Bisolvon®). Em casos avançados pode ser necessária a aplicação de broncodilatadores (Aminofilina®) e mesmo a oxigenioterapia.

No controle das enfermidades respiratórias dos ruminantes as defesas orgânicas desempenham um papel muito importante. As medidas sanitárias a serem adotadas visam, desta forma, manter essas defesas em sua máxima capacidade. Para este efeito deve-se respeitar as seguintes normas:

  • evitar que as instalações de manejo sejam muito expostas ao vento e frio, preocupando-se, todavia, com a adequada ventilação do ambiente.

  • as camas devem ser trocadas sempre que a umidade e o teor de urina estejam muito elevados.

  • não se deve usar camas e rações que produzam muito pó.

  • garantir que os recém-nascidos recebam o colostro nas primeiras horas de vida e tratar adequadamente o umbigo desses animais.

  • manter uma rigorosa higiene ambiental e evitar condições estressantes como manipulações desnecessárias dos animais e super-população.

  • manter os animais em bom estado sanitário combatendo sistematicamente a existência de doenças intercorrentes.

    Por fim, cuidado especial deve-se ter na aquisição de animais prevenindo, assim, a introdução de novas doenças no rebanho.

    Pneumonia verminótica
    Trata-se de uma enfermidade do trato respiratório causada por certos vermes (Dictyocaulus viviparus nos bovinos e Dictyocaulus filaria e Muellerius capillaris nos caprinos e ovinos). O hospedeiro adquire o parasita ao ingerir o capim contaminado com suas larvas. Essas atingem o pulmão através da circulação linfática e sanguínea após a penetrarem pela mucosa intestinal. No pulmão as larvas atingem o estágio adulto e começam a ovipor. O ovos eclodem dentro do hospedeiro e, após sua expectoração e ingestão, são eliminados com as fezes que vão contaminar o capim.

    O tratamento da dictiocaulose deve ser feito com febantel (Rintal®) 7,0 mg/kg, febendazol (Panacur®) 7,5 mg/kg, levamizol (Ripercol®) 7,5 mg/kg, oxfendazol (Systamex®) 5,0 mg/kg, ivermectin (Ivomec®) 0,2 mg/kg. A mueleriose deve ser tratada com febendazol (Panacur®) 40,0 mg/kg, ivermectin (Ivomec®) 0,2 mg/kg. A broncopneumonia secundária que se instala, na dependência da sua gravidade, deve ser tratada conforme descrito na pneumonia enzoótica dos bezerros.

    Tuberculose
    A tuberculose é caracterizada pela formação de granulomas ou tubérculos em diversas partes do organismo inclusive no pulmão. OMycobacterium bovis é a espécie responsável pela doença nos bovinos que é raríssima nos pequenos ruminantes. Para o diagnóstico da tuberculose pode-se pesquisar a reação cutânea à inoculação de um alérgeno específico, conhecido como tuberculina. Cumpre lembrar que animais em estágios bastante avançados da doença não reagem satisfatoriamente à esta prova.

    De acordo com o regulamento oficial, o tratamento da tuberculose não deve ser adotado, sendo que os animais reagentes à prova da tuberculina devem ser sacrificados.

    Bibliografia

    PRINGLE,J.K. Ancillary testing for the ruminant respiratory system. Veterinary Clinics of North America - Food Animal. v.8, n.2, p.243-252, 1992.

    PRINGLE,J.K. Assessment of the ruminant respiratory system. Veterinary Clinics of North America - Food Animal. v.8, n.2, p.233-242, 1992.

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