Zoonoses
Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins

Febre maculosa

Introdução

A febre maculosa é uma doença febril aguda, de gravidade variável, causada por bactéria e transmitida por carrapatos infectados.

Em 1899 é feita a primeira descrição clínica da doença, com um caso ocorrido na região montanhosa do Noroeste dos EUA - Febre Maculosa das Montanhas Rochosas. Na década de 1930, é identificada no Canadá, México, Panamá, Colômbia e Brasil.

Em São Paulo, já foram descritos casos de Febre maculosa nos municípios de Mogi das Cruzes, Diadema, Santo André, Pedreira, Jaguariúna e Campinas.

Etiologia

Rickettsia rickettsii (bactéria intracelular obrigatória que sobrevive brevemente fora do hospedeiro)

Epidemiologia

FI: Diversos roedores e outros animais (gambás e coelhos) ajudam a manter o ciclo da doença. Os carrapatos podem ser encontrados em todas as fases em aves domésticas, aves silvestres (seriemas), mamíferos (cavalo, capivara, boi, cão, porco, veado) e animais de sangue frio (ofídeos).

VE: a bactéria não é eliminada

VT: ocorre pela picada de carrapato infectado (aderido por 4 a 6 horas). Pode também ocorrer contaminação através de lesões na pele, pelo esmagamento do carrapato.

PE: pele

S: homem e cão

Vetor:

Amblyomma cajennense ("carrapato estrela", "carrapato de cavalo" ou "rodoleiro", as larvas são conhecidas por "carrapatinhos" ou "micuins" e as ninfas por "vermelhinhos"). Os carrapatos Amblyomma cajennense são responsáveis pela manutenção da R. rickettsii na natureza, pois ocorre transmissão transovariana e transestadial. Esta característica biológica permite ao carrapato permanecer infectado durante toda a sua vida (18 meses) e também por muitas gerações após uma infecção primária. São hematófagos obrigatórios, necessitando de repastos em três hospedeiros para completar seu ciclo de vida. O homem é intensamente atacado nas fases de larvas e ninfas, portanto na primavera e verão. Não se transmite de uma pessoa para outra.

Sintomas

Período de incubação: 2 a 14 dias (em média, 7 dias)

Homem

Começo súbito com febre de moderada a alta que dura geralmente de 2 a 3 semanas e é acompanhada de cefaléia, calafrios, congestão das conjuntivas.

Ao terceiro ou quarto dia pode se apresentar exantema maculopapular, róseo, nas extremidades, em torno do punho e tornozelo, de onde se irradia para o tronco, face, pescoço, palmas e solas. São freqüentes petéquias e hemorragias devido à vasculite generalizada – letalidade de 20% na ausência de uma terapia específica. A morte é pouco comum quando se aplica o tratamento precocemente.

Cão

Deficiência vestibular com nistagmo e incoordenação motora, febre, anorexia, letargia. As raças puras são mais sensíveis.

Diagnóstico

Diagnóstico diferencial: nos cães, com Erlichiose canina.

Diagnóstico laboratorial: sorológico – IFI (imunofluorescência indireta) – padrão da OMS e cultura de sangue (para isolar o agente etiológico).

Tratamento

Antibioticoterapia: Cloranfenicol ou tetraciclina.

A tetraciclina não deve ser usada em animais jovens ou em fêmeas prenhes.

Prevenção

- ter em mente quais são as áreas consideradas endêmicas para a febre maculosa;
- evitar caminhar em áreas conhecidamente infestadas por carrapatos no meio rural e silvestre;
- quando for necessário caminhar por áreas infestadas por carrapatos, vistoriar o corpo em busca de carrapatos em intervalos de 3 horas, pois quanto mais rápido for retirado o carrapato, menor serão os riscos de contrair a doença;
- utilizar barreiras físicas como calças compridas com parte inferior por dentro das botas, cuja parte superior deve ser lacrada com fitas adesivas de dupla face;
- recomenda-se o uso de roupas claras, para facilitar a visualização dos carrapatos;
- não esmagar os carrapatos com as unhas pois com isso pode liberar as bactérias, que têm capacidade de penetrar através de microlesões na pele.
- retirá-los com calma, torcendo-os levemente;
- fazer rotação de pastagens;
- aparar o gramado o mais rente ao solo, facilitando, assim, a penetração dos raios solares;
- fazer o controle químico nos animais domésticos através banhos estratégicos de carrapaticidas.
- Cão da cidade que vai ao campo é mais susceptível à doença – tratá-lo com produto carrapaticida quando voltar à cidade.

O que você precisa saber?

  1. Qual o agente etiológico da doença e quais suas características?
  2. Qual o vetor da doença e quais suas características?
  3. Descreva a epidemiologia da doença
  4. Quais os sinais e sintomas no homem?
  5. Quais os sinais e sintomas no cão?
  6. Como é feito o diagnóstico laboratorial?
  7. Como é feito o tratamento?
  8. Como é feita a prevenção da doença?