| Zoonoses Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins |
Hantavirose
Introdução
A hantavirose é uma doença viral, transmitida principalmente por ratos silvestres, que causa uma síndrome pulmonar em humanos (SPH). Foi descrita pela primeira vez no Brasil em 1993 e atualmente registra-se sua ocorrência em vários estados do País, com uma incidência crescente.
Na Ásia e na Europa, a doença apresenta uma prevalência maior (p. ex.: cerca de 100.000 casos por ano na China), sendo que a forma clínica predominante é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR).
Etiologia
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O agente é um RNA vírus, pertencente à família Buyanviridae, do gênero hantavirus. Existem várias cepas do vírus, dependendo da região onde ocorre. Nas Américas, as cepas Sin Nombre, Bayou e New York, entre outras, são as mais prevalentes. Já na Ásia e na Europa, as cepas predominantes são Hantaan, Puumala e Seoul. |
Epidemiologia
Fonte de infecção: roedores silvestres infectados. Eles não desenvolvem a doença e se tornam portadores sãos. No Brasil, as principais espécies envolvidas são Akodon spp, Bolomys lasiurus e Oligoryzomys spp. Os humanos enfermos podem, excepcionalmente, atuar como fonte de infecção, mas isso é muito raro.

Via de eliminação: fezes, urina e saliva.
Via de transmissão: contágio direto com aerossóis infectados. Eventualmente também pode ocorrer a transmissão através de água e alimentos infectados.
Porta de entrada: trato respiratório, trato digestório e pele (no caso de mordeduras).
Susceptível: roedores e humanos.
Patogenia
O período de incubação é de cerca de 2 semanas. Uma vez no organismo o vírus ataca principalmente os pulmões e os rins, na dependência da cepa do vírus. No Brasil, só foi relatada a síndrome pulmonar (SPH), com uma letalidade superior a 50%. Na Ásia e na Europa ocorre a síndrome renal (FHSR), com uma letalidade ao redor de 5%.
Sintomas
Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH): tosse e dispnéia. Acompanham sintomas gerais, como febre, dores e vômitos.
Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR): insuficiência renal, uremia, oligúria. Diátese hemorrágica (petéquias, sangramento gengival, etc.). Também acompanham sintomas gerais, como febre, dores e vômitos.
Diagnóstico
Sorologia: imunofluorescência, ELISA, soroneutralização
Exame direto: PCR, imunohistoquímica
Tratamento
Não existe tratamento específico. São adotados procedimentos gerais de suporte, como hidratação, controle da pressão e alívio sintomático.
Profilaxia
Na fonte de infecção: controle de roedores, isolamento de doentes.
Na via de transmissão: desinfecção ambiental.
Na porta de entrada: uso de máscaras, botas e luvas em áreas infectadas.
Links úteis
O que você precisa saber