Zoonoses
Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins

Histoplasmose

Introdução

A histoplasmose é uma zoonose causada por um fungo, transmitida por morcegos e aves. Possui alta taxa de infecção em áreas endêmicas (forma assintomática predomina – 90%). Sua ocorrência está associada a locais com alta concentração de fezes de morcegos (cavernas, minas abandonadas, túneis)

Etiologia

Fungo dimórfico: Histoplasma capsulatum

- Fase parasitária: semelhante à levedura (37ºC)

- Fase saprofítica (solo): micélio filamentoso com macro e microconídeos.

Duas variedades: Histoplasma capsulatum var. capsulatum (distribuição mundial) e Histoplasma capsulatum var. duboissi (África Central).

Epidemiologia

Fonte de infecção: morcegos (as aves desempenham papel passivo, pois não eliminam o agente, mas suas fezes ajudam a proliferação da fase saprofítica)

Via de eliminação: fezes

Via de transmissão: contágio direto via aerógena (inalação de pó)

Porta de entrada: trato respiratório

Susceptível: mamíferos e homem são hospedeiros acidentais, pois não participam da manutenção ou transmissão da doença.

Patogenia

O período de incubação é de aproximadamente 10 dias. Após a inalação do agente, ocorre a forma pulmonar (aguda ou crônica). Posteriormente, por via hematógena, ocorre a forma disseminada - pele, mucosas e outros órgãos (baço, fígado, coração).

Sintomas

HUMANOS

Pulmonar aguda: Mais freqüente, semelhante à gripe, durando de um dia a várias semanas. Pode passar desapercebida.

Pulmonar cavitária crônica: Acomete pessoas com mais de 40 anos, homens, quase sempre com enfermidade pulmonar pré-existente. Semelhante à tuberculose pulmonar, com formação de cavidades, com curso de meses a anos. Pode haver dano pulmonar permanente ou cura espontânea.

Disseminada: É a mais grave, acometendo pessoas muito jovens ou muito velhas. 10-25% de aidéticos em áreas endêmicas desenvolvem esta forma, com 10% de mortalidade. Forma aguda: em lactantes e crianças pequenas – hepatoesplenomegalia, febre, prostação. Se não tratada, é alta a mortalidade. Forma crônica: geralmente em adultos – pneumonia, hepatite, endocardite, ulceração de mucosas e hepatoesplenomegalia. Pode ser mortal se não tratada.

DEMAIS ANIMAIS

Alta taxa de animais reatores (domésticos e de companhia, morcegos e roedores), porém maioria das infecções são assintomáticas.

Cães: é a espécie que manifesta mais freqüentemente sintomas clínicos. Forma respiratória primária: encapsulação e calcificação do agente. Forma disseminada: perda de peso, diarréia persistente, ascite, tosse crônica, hepatoesplenomegalia e linfadenopatia.

Aves: não são susceptíveis (sua temperatura corporal não permite o crescimento do fungo)

Diagnóstico

Isolamento em cultura e inoculação em camundongos. Material refrigerado em solução salina: fezes de morcego, de pombos, material de biópsia, secreção pulmonar.

Controle

Principal estratégia: aspersão de formol 3% sobre fezes, uso de máscaras.

O que você precisa saber

  1. Descreva a etiologia e a epidemiologia da histoplasmose.
  2. Qual a sintomatologia da histoplasmose no homem e nos demais animais?
  3. Como é feito o diagnóstico e o controle da histoplasmose?