Zoonoses
Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins

Doença de Lyme

Introdução

Doença crônica polissistêmica, que causa alterações cutâneas, articulares, neurológicas e cardíacas.

Doença endêmica na costa Atlântica dos Estados Unidos, que vai desde Massachusetts até Maryland, com outros focos em expansão e casos notificados em 47 estados daquele país. No Brasil, focos já foram detectados em São Paulo, Santa Catarina e no Rio Grande do Norte. Por ser doença rara em território brasileiro, é de notificação compulsória e investigação obrigatória.

Etiologia

Borrelia burgdorferi (espiroqueta)

Epidemiologia

FI: animais silvestres, animais domésticos

VE: não há

VT: ocorre pela adesão dos carrapatos (gênero Ixodes e Amblyomma) à pele e sucção de sangue por 24 horas ou mais.

PE: pele

S: homem, animais silvestres e domésticos

Sintomas

Lesão cutânea iniciada por uma pequena mácula ou pápula vermelha que aumenta lentamente, tomando uma forma anular. Pode ser única ou múltipla e é denominada de eritema migrans (EM). Pode apresentar manifestações gerais, como mal-estar, febre, cefaléia, rigidez de nuca, mialgias e artralgias. Semanas ou meses após o início do EM, podem surgir manifestações neurológicas precoces, como: meningite asséptica, paralisia facial, mielite e encefalite. Essas manifestações são flutuantes e podem durar meses ou se tornarem crônicas. Distúrbios cardíacos, também, podem aparecer após poucas semanas do EM, como bloqueio atrioventricular, miocardite aguda ou aumento da área cardíaca. Meses após os sintomas inicias, podem surgir edemas articulares, principalmente dos joelhos, que desaparecem e reaparecem durante vários anos. A doença pode ficar latente por longos períodos, após os quais apresenta manifestações neurológicas crônicas tardias, como encefalopatias, polineuropatia ou leucoencefalite. Nos animais, observa-se claudicação, artrite e sintomas nervosos.

O aparecimento do EM varia de 3 a 32 dias após à exposição aos carrapatos. Se não houver o EM na fase inicial, a doença pode se manifestar anos mais tarde, o que prejudica a determinação do período de incubação.

Diagnóstico

Laboratorial

Indireto - sorológico - IFI (imunofluorescência indireta) e ELISA

Direto - isolamento em cultura é difícil. A Borrelia burgdorferi é isolada de material de biópsia das lesões EM em, aproximadamente, 50% dos casos.

Tratamento

Antibioticoterapia: doxicilina, amoxicilina, penicilina ou eritromicina.

Prevenção

Ações de educação em saúde sobre o ciclo de transmissão para impedir que novas infecções ocorram e evitar que os indivíduos transitam onde há suspeita da existência dos carrapatos.

Orientar os moradores e/ou trabalhadores da área: proteção do corpo com roupas claras de mangas compridas, uso de repelentes nas partes descobertas da pele e nas bordas das roupas. Observação constante (4/4 hs.) da pele em busca dos transmissores e eliminação imediata dos mesmos.

A retirada dos carrapatos deve ser feita com as mãos protegidas (luvas ou sacos

plásticos), através do uso de pinças com trações suaves e constantes, evitando-se o maceramento do corpo do artrópodo ou a permanência da boca na pele do indivíduo.

As medidas para redução das populações de carrapatos em animais não têm sido efetivas. Não há indicação de isolamento dos pacientes.

O que você precisa saber?

  1. Qual o agente etiológico da doença?
  2. Qual o vetor da doença?
  3. Descreva a epidemiologia da doença
  4. Quais os sinais e sintomas da doença?
  5. Como é feito o diagnóstico laboratorial?
  6. Como é feito o tratamento?
  7. Como é feita a prevenção da doença?