| Zoonoses Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins |
Malária
Introdução
Sinonímias
Paludismo, impaludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, maleita.
Caracterização geral
É uma doença infecciosa febril aguda, causada por um protozoário unicelular, do gênero Plasmodium, com sintomatologia ocorrendo de forma cíclica, em dependência da espécie do parasito infectante.
Aspectos históricos
A malária é uma doença conhecida desde a antiguidade. Os antigos acreditavam que era causada pelas emanações e miasmas provenientes dos pântanos. Em fins do século passada, em 1880, o médico francês Charles Alphonse Laveran, descreveu os parasitos da malária e, em 1887, o médico escocês Ronald Ross descreveu o mecanismo de transmissão da doença por meio de mosquito.
Situação atual
Área endêmica: no Brasil, corresponde a 81% do território nacional (99,5% dos exames parasitológicos positivos são originários da Amazônia Legal, sendo o Plasmodium falciparum responsável por 41% dos casos)
Etiologia
As espécies de plasmódios que afetam o ser humano são: Plasmodium vivax, P. falciparum, P. malaria e P.ovale, sendo que as 3 primeiras ocorrem no Brasil.
Epidemiologia
Fonte de infecção: homem. Algumas espécies de macaco podem albergar o agente, mas a transmissão natural é rara.
Via de eliminação: sangue
Via de transmissão: através da picada do vetor (fêmeas de insetos do Gênero Anopheles), transfusões sanguíneas, compartilhamento de seringas, soluções de continuidade da pele e mais raramente, por via congênita.
Características do vetor: Anopheles spp
Porta de entrada: pele
Susceptível: homem
Patogenia
Após uma fêmea do mosquito do gênero Anopheles ingerir sangue humano contendo os plasmódios (em forma de gametócitos), inicia-se uma fase sexuada no interior de seu estômago. Deste modo, por esporogonia, resultam centenas de formas infectantes (esporozoítas) que migram para as glândulas salivares do inseto, as quais poderão, no momento da picada, ser inoculadas no ser humano. Entre 10 a 20 dias após ter sido contaminado, o vetor passa a transmitir a doença para outras pessoas através de sua picada, por toda sua vida, que é de cerca de 30 dias.
No homem, após a inoculação das formas infectantes (esporozoítas), pela picada de um mosquito contaminado, estes se multiplicam assexuadamente nas células do fígado (esquizogonia tecidual) e posteriormente invadem os glóbulos vermelhos onde se multiplicam (esquizogonia eritrocítica), em ciclos variáveis de 24 a 72 horas, provocando a partir daí os sintomas da doença. Este intervalo que vai desde a picada infectante até o início dos sintomas é chamado período de incubação e dura em média 15 dias.
O homem infecta o mosquito enquanto houver gametócitos no sangue. Se não tratado, o homem pode ser fonte de infecção durante menos de 1 ano até mais de 3 anos, dependendo da espécie de Plasmodium em questão.
A princípio, todo ser humano é suscetível à malária, mesmo aqueles que já a contraíram por diversas vezes, uma vez que a imunidade induzida pela presença do parasita nunca chega a conferir proteção total.
Sintomas
Caracteriza-se por intenso calafrio seguido de febre alta, vômitos, dores de cabeça e no corpo; à medida que a temperatura começa abaixar, o doente apresenta intensa sudorese. Estes acessos se repetem com intervalos diferentes, de acordo com a espécie do plasmódio:
Forma mais grave:
O quadro clínico pode evoluir para distúrbios de coagulação sanguínea, choque, insuficiência renal ou hepática, encefalopatia aguda e edema pulmonar, com óbito em 10% dos casos.
As formas graves estão relacionadas à parasitemia elevada, acima de 2% das hemácias parasitadas.
Diagnóstico
Tratamento
Para cada espécie do plasmódio é utilizado medicamento ou associações de medicamentos específicos em dosagens adequada à situação particular de cada doente.
Drogas atuais: cloroquina, primaquina, sulfato de quinina, doxiciclina, mefloquina, derivados de artemisinina.
Controle
Manter vigilância epidemiológica para impedir a reintrodução da malária em áreas não endêmicas, através do diagnóstico, tratamento dos casos e eliminação de novos focos.
Aplicação de medidas anti-vetoriais seletivas: utilização de repelentes químicos, mosquiteiros sobre as camas ou redes de dormir, telas nas janelas e portas das habitações e evitar a permanência ao ar livre nos horários em que o mosquito se apresenta em maior quantidade, como o amanhecer e o anoitecer.
Apesar de vários estudos, que vêm sendo feitos há muitos anos, ainda não existe uma vacina que confira proteção contra a malária.
O que você precisa saber