Zoonoses
Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins

Mormo

Introdução

O mormo (glanders em inglês, muermo em espanhol) é uma doença infecciosa causada pela bactéria Burkholderia mallei. A doença acomete solípedes (eqüinos, asininos e muares), podendo ser transmitida ao homem. Ela é conhecida há vários séculos e foi considerada extinta do Brasil em 1968. Sua diminuição foi associada com a progressiva substituição da tração animal pela motorizada. Entretanto, inquéritos sorológicos conduzidos em 1999 e 2000 detectaram a presença da doença em alguns estados do nordeste brasileiro, especialmente Pernambuco, Alagoas, Ceará e Sergipe. Suspeita-se que a doença nunca tenha sido extinta do Brasil e que essas descrições sejam apenas a identificação de casos que vinham ocorrendo normalmente nos últimos anos (um pouco desta história pode ser visto em http://www.cavalo.com.br/artigos.asp?noticia_id=311). No exterior, o mormo foi erradicado dos EUA e da Europa, mas ainda ocorre com certa freqüência na África e na Ásia.

Etiologia

O agente do mormo é um bacilo gram negativo, anteriormente classificado nos gêneros Pseudomonas e Actinobacillus. É um parasita obrigatório, não resistindo períodos superiores a 6 semanas no meio ambiente.

Epidemiologia

Fonte de infecção: solípedes infectados.

Via de eliminação: corrimento nasal, secreção de úlceras cutâneas.

Via de transmissão: contágio direto, através da inalação de aerossóis infectados ou contato da pele lesada; e contágio indireto, através da ingestão de água e alimentos contaminados.

Porta de entrada: mucosas respiratórias e digestivas, pele lesada.

Susceptível: solípedes, homem, felídeos (ingestão de carne de eqüídeos infectados).

Patogenia

O período de incubação é de aproximadamente uma semana, mas há o relato de casos de infecções latentes que se manifestaram anos depois. Alguns animais infectados não desenvolvem a doença (forma inaparente), mas em outros a doença se manifesta, ora de forma aguda (principalmente em asininos e muares), ora de forma crônica (principalmente em eqüinos). A característica principal da doença é a formação de nódulos e úlceras no trato respiratório e na pele. O quadro respiratório pode se localizar nas vias aéreas anteriores, na posteriores ou em ambas. Há pneumonia, com a formação de abcessos pulmonares, empiema e efusão pleural

Sintomas

Os sintomas respiratórios se caracterizam por tosse, dispnéia e corrimento nasal muco-purulento. Podem ser encontradas úlceras na mucosa nasal e faringe. O animal apresenta emagrecimento progressivo. As lesões cutâneas se iniciam com a formação de nódulos que posteriormente se ulceram, apresentando tumefação dos linfonodos correlatos. Nos casos agudos, ocorre também febre, apatia e anorexia.

Diagnóstico

Diagnóstico direto: isolamento bacteriológico, inoculação em hamsters.

Diagnóstico indireto: pesquisa de anticorpos (sorologia) através da fixação do complemento e ELISA. Cita-se, também a realização de teste cutâneo através da inoculação intradermopalpebral de maleína. A leitura é feita após 48 h, sendo positivos os animais que apresentarem edema, blefarospamo e conjuntivite.

Tratamento

Deve ser considerado o risco epidemiológico de se tratar animais infectados. O tratamento não é indicado pois os animais se tornam portadores crônicos e fontes de infecção para outros animais. A literatura cita, porém, o uso de sulfadiazina por 20 dias. O agente é refratário ao tratamento com penicilina e estreptomicina.

Controle

O controle do mormo baseia-se no isolamento da área onde existirem animais doentes, sacrifício dos animais positivos às provas de diagnóstico, isolamento e reteste dos suspeitos, cremação dos cadáveres no próprio local, desinfecção das instalações e de todo material que esteve em contato com doentes, suas excreções ou secreções.

Está sendo posto em prática, também, um processo de certificação de propriedades livres de mormo, baseado na obtenção de dois exames negativos em todos animais do plantel, realizados com intervalo de 30 a 90 dias. A renovação deve ser anual, bastando um exame negativo em todos animais. O controle de trânsito, baseado na apresentação do resultado de exame negativo, também está sendo implantado.

O que você precisa saber

  1. Qual a situação atual do mormo no Brasil e no exterior?
  2. Descreva a epidemiologia do mormo.
  3. Descreva a patogenia e sintomas do mormo.
  4. Como é feito o diagnóstico do mormo?
  5. Como está sendo controlado o mormo no Brasil?