Zoonoses
Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins

Psitacose

Introdução

Sinonímia

Clamidiose aviária, ornitose, febre dos papagaios

Ocorrência no homem

Acomete, principalmente, indivíduos que mantêm contato direto com aves e animais, a exemplo de trabalhadores em abatedouros de aves, lojas de animais ou proprietários de pássaros e outros animais domésticos, o que lhe dá um caráter de doença ocupacional nessas situações. Como parece não haver formação de adequada de anticorpos, pode ocorrer reinfecção. Em geral é esporádica, confundindo-se com gripe. A forma grave é mais observada em pessoas idosas. Infecções em crianças são raras. Há relato da ocorrência da doença grave em gestante, seguida de aborto, após contato com ovelha infectada.

Ocorrência nos animais

Em aves: descrita em 130 espécies. Infecções latentes e inaparentes na maioria dos casos. Aparece forma clínica quando aves são submetidas a stress (criações confinadas, ventilação fraca, super lotação, capturas, quarentena, transporte de animais).

Em mamíferos: aborto (ruminantes), conjuntivite, pneumonia

Etiologia

Agente: Chlamydophila psittaci (mudança recente de gênero – nome antigo: Chlamydia psittaci)

Características:

Epidemiologia

Fonte de infecção: aves, principalmente os psitacídeos (papagaios, araras, periquitos), e também outras espécies, como pombos, perus e gansos

Via de eliminação: fezes, penas contaminadas com secreções

Via de transmissão: via aerógena (inalação de pó contaminado por fezes secas e secreções respiratórias dos animais doentes ou portadores)

Entre aves: via digestiva (canibalismo / coprofagia) em aves domésticas, transmissão vertical (via ovo)

Porta de entrada: trato respiratório

Susceptível: homem (hospedeiro acidental), aves

Observações:

Patogenia

Sintomas

Nas aves: Nos psitacídeos, a infecção normalmente não apresenta sinais clínicos. Quando presentes, são inespecíficos como queda na fertilidade, anorexia, perda de peso, hipotermia, eriçamento das penas, letargia, diarréia amarelada a esverdeada, dispnéia, sinusite, coriza, aerosaculite, pneumonia e desidratação. Após emagrecimento progressivo e caquexia, os animais morrem, freqüentemente com sintomas de paralisia no prazo de uma a duas semanas. Também ocorrem mortes súbitas sem sintomas prévios da doença. Um animal doente pode ser curado, mas continua portador eliminando o agente por meses.

Em mamíferos: Em ruminantes, o aborto é o principal sinal clínico, sendo que o agente tem sido isolado da placenta de bovinos, ovinos e caprinos de todo o mundo. Além disso, podem ocorrer epididimite, artrite, pneumonia e conjuntivite. Já em suínos ocorrem doenças respiratórias e desordens reprodutivas, porém a forma assintomática parece ser a mais freqüente.

No homem: A infecção assintomática não é comum, dando lugar a sintomas semelhantes à gripe (como cefaléia, febre, dor muscular, tosse e inapetência), acompanhados de acometimento das vias aéreas superiores ou inferiores e evoluindo para pneumonias atípicas. Complicações - Pericardite, miocardite, endocardite, tromboflebite superficial, hepatites e encefalopatia. A enfermidade, em geral, é leve ou moderada no homem, podendo ser mais grave em idosos que não recebam tratamento adequado, Estima-se que a letalidade seja menor que 1% quando pacientes são tratados de modo adequado (antibioticoterapia).

Diagnóstico

Diagnóstico clínico

Várias outras doenças se confundem com psitacose. Nas aves, agentes como Chlamydophila psittaci, Micoplasma gallisepticum, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Candida albicans, Pox vírus, nematodes e protozoários causam uma síndrome que consiste de baixa eclodibilidade, alta mortalidade infantil, sinusite e conjuntivite.

O diagnóstico diferencial deve se apoiar nessa premissa e no histórico epidemiológico regional.

Diagnóstico laboratorial-

Sorologia (Reação de fixação do complemento, ELISA): títulos aumentados em quatro vezes entre a fase aguda e a convalescença, obtidos com intervalo de duas a três semanas entre cada coleta, confirmam o diagnóstico.

Isolamento do agente: o isolamento do agente no sangue ou em secreções, além de cultura de tecidos(fígado, baço, rim, pulmão), apesar de possível, é de difícil execução, requerendo laboratórios especializados, pois é necessário realizar cultivo celular ou inoculação em ovo embrionado.

Controle

Animais: tratamentos têm sido feitos com eritromicina, cefatriaxona, ampicilina e doxaciclina/clortetraciclina (tetraciclinas). Em aves, evite dietas com alta concentração de cálcio (blocos minerais), pois diminui a absorção das tetraciclinas.

Em psitacídeos, a cura é discutível. É reservatório de grande importância epidemiológica pois são mantenedores do agente no ambiente natural.

Vacinas: Vêm sendo desenvolvidas com a finalidade de controlar a psitacose em animais de produção, mas os estudos são preliminares. Em felinos, as vacinas parecem não manter níveis adequados de anticorpos.

Prevenção para as aves (sobretudo para os psitacídeos – reservatórios):

O que você precisa saber

  1. Descreva a ocorrência da psitacose no homem e nos animais
  2. Qual o agente etiológico da psitacose e quais suas características?
  3. Descreva a epidemiologia da psitacose
  4. Quais os sinais e sintomas da psitacose em aves e mamíferos?
  5. Quais os sinais e sintomas da psitacose no homem?
  6. Como pode ser feito o diagnóstico da psitacose?
  7. Qual o tratamento a as medidas de controle da psitacose?