| Zoonoses Maurício Garcia e Luciana Sutti Martins |
Raiva
Introdução
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Etiologia
Cepas
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Característica |
Vírus de rua |
Vírus fixo |
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Ocorrência |
Natural |
Laboratório |
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Perírodo de incubação |
Variável, freqüentemente longo (meses) |
Curto (4 a 6 dias) |
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Invasão de glândulas salivares |
Ocorre |
Não ocorre |
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Patogenicidade ao homem |
100% (quase...) |
Ocasional, rara |
Epidemiologia
Fonte de infecção: cães e morcegos (pp. Desmodus rotundus). Outros animais ocasionalmente, como gatos, animais silvestres...
Via de eliminação: saliva.
Via de transmissão: contágio direto - mordedura. Ocasionalmente lambedura em feridas, arranhaduras.
Porta de entrada: pele.
Susceptível: mamíferos (inclusive o homem).
OBS.: Casos raros, execepcionais
Patogenia
Período de incubação: depende da quantidade de vírus inoculado e da proximidade do local da mordedura ao SNC:
Fase centrípeta: A inoculação do vírus é subcutânea ou intramuscular, através da mordedura. O vírus chega ao SNC pelos nervos periféricos (neurectomia experimental em animais de laboratório impediu a doença em animais inoculados). O vírus permanece certo tempo no local da mordedura (aonde se multiplica), antes de caminhar ao SNC (esta é a chance do tratamento...).
Fase centrífuga: Depois de chegar ao SNC, ele se espalha ao restante do SN e às glândulas salivares. No SN ele causa inflamação inicial do tecido nervoso (fase de excitação) que evolui para morte celular (fase paralítica).
Sintomas
Em geral a doença dura de 2 a 6 dias e quase sempre termina em morte.
Homem: inicia com angústia, dores de cabeça, febre ligeira, mal estar, perturbações sensoriais, principalmente próximas ao local da mordedura. Evolui para excitação, hiperestesia, extrema sensibilidade a luz e som, dilatação das pupilas e salivação. Aparecem, então, espasmos dos músculos da deglutição e a bebida é rechaçada violentamente por contrações musculares ("hidrofobia"). Podem aparecer espasmos respiratórios e convulsões. Antes da morte, alguns pacientes podem apresentar uma fase de paralisia generalizada.
Cães e gatos: alteração de conduta, se escondem em locais escuros, mostram agitação não usual, ficam dando voltas. Animal reage ao menor estímulo. Anorexia, irritação no local da mordedura, febre ligeira. Depois de 1 a 3 dias se exaltam os sintomas de excitação e agitação. O animal se torna perigosamente agressivo, com tendência a morder objetos, animais e o homem, mesmo o próprio dono. É comum que morda a si mesmo. A salivação é abundante, já que o animal não consegue deglutir. Há alteração do latido por paralisia das cordas vocais. Os animais tendem a abandonar suas casas e a percorrer longas distâncias, atacando outros animais no percurso. Na fase terminal, observam-se convulsões, incoordenação muscular e paralisia. Alguns animais apresentam forma muda ou paralítica, a qual começa pela cabeça. O animal tem dificuldade de deglutir e o dono pensa que ele está "engasgado". Ao tentar socorrê-lo, abrindo e manipulando sua boca, o dono se infecta.
Bovinos: predomina a forma paralítica, começando pelos membros posteriores. Apresentam paresia fláciada posterior, que evolui para paralisia. Os animais tem dificuldade para deglutir e deixam de se alimentar. Com a evolução, eles se deitam e não conseguem mais levantar, até a morte, que ocorre em 2 a 5 dias.
Morcegos: os animais doentes alteram seu comportamento, passam a voar de dia e muitas vezes permitem ser capturados com facilidade (= risco de contágio !!)
Diagnóstico
Histórico: relatos de mordeduras por cães e morcegos.
Exame físico: sintomas neurológicos diversos, morte em menos de 10 dias.
Exames laboratoriais:
Diagnóstico direto: pesquisa do agente
Diagnóstico indireto: pesquisa de anticorpos (sorologia)
Tratamento
Não existe tratamento para casos com manifestação clínica. As tentativas, entretanto, incluem soroterapia específica e vacinação.
Controle
Imunização: cães e gatos - aos 3 ou 4 meses, revacinação anual; herbívoros - aos 3 meses, reforço com 30 dias, revacinação anual, semestral ou estratégica (depende da ocorrência). Existem vacinas vivas e inativadas:
Vacinas disponíveis no mercado brasileiro
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Vacina |
Fabricante |
Tipo |
C |
G |
B |
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Aftorab oleosa* |
Merial |
Inativada |
X |
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Alurabiffa |
Merial |
Inativada |
X |
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Bio Rhabdo Vet |
Bio Vet |
Viva (ERA) |
X |
X |
X |
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Canigen CH (A2) PPi/LR* |
Virbac |
Inativada |
X |
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Canigen R |
Virbac |
Inativada |
X |
X |
X |
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Defensor |
Pfizer |
Inativada |
X |
X |
X |
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Dog-Cell |
Hertape |
Inativada |
X |
X |
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Era Vac |
Hoechst |
Inativada |
X |
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Eurican CHPLR* |
Merial |
Inativada |
X |
||
|
Eurifel PHCR* |
Merial |
Inativada |
X |
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|
Fel-O-Vax PCT-R* |
Fort Dodge |
Inativada |
X |
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Nobivac Raiva |
Interchange |
Inativada |
X |
X |
X |
|
Ra Sad |
Lema |
Viva (SAD) |
X |
X |
X |
|
Rabdomun |
Coopers |
Viva (LEP) |
X |
X |
X |
|
Rabisin |
Merial |
Inativada |
X |
X |
X |
|
Rabivac |
Pfizer |
Inativada |
X |
X |
X |
|
Rai Liq |
Irfa |
Inativada |
X |
X |
X |
|
Rai Vac |
Fort Dodge |
Viva (SAD) |
X |
X |
X |
|
Rai Vac I |
Fort Dodge |
Inativada |
X |
X |
|
|
Raivacel |
Vallée |
Inativada |
X |
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|
Rai-Vet Líquida |
Bio Vet |
Inativada |
X |
X |
X |
|
Rai-Vet Líquida |
Bio Vet |
Inativada |
X |
X |
X |
|
Tissuvax R |
Coopers |
Viva (SAD) |
X |
X |
|
|
Vacina Antirábica Era Vac Leivas Leite |
Leivas Leite |
Viva (ERA) |
X |
X |
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|
Vacina Antirábica Leivac |
Leivas Leite |
Inativada |
X |
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|
Vacina Antirábica Leivac Cães e Gatos |
Leivas Leite |
Inativada |
X |
X |
|
|
Vacina BGS-Cell |
Hertape |
Inativada |
X |
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Vacina Inativada Contra a Raiva |
Vencofarma |
Inativada |
X |
Controle da fonte de infecção:
Como proceder em caso de acidente (animal mordeu humano):
O que você precisa saber: