Prêmio Pablo Videla

A ALB instituiu um prêmio para reconhecer membros que tenham se destacado no campo científico, acadêmico, ou no âmbito da associação. Foi outorgado o nome de Dr. Pablo Domingo Videla como reconhecimento do mérito pelo trabalho pioneiro e profícuo em prol da Buiatria Latino-americana.

Nasceu em Ingeniero Luiggi, La Pampa, em 03 de agosto de 1924. Em 1947 iniciou sua carreira docente como monitor (Ayudantes Alumnos), após vencer o concurso por mérito e títulos. Graduou-se na Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidad Nacional de La Plata (UNLP) em 29 de dezembro de 1950, tendo sua tese aprovada em 28 de maio de 1951, sem registrar qualquer retardo em sua carreira. Depois de sucessivos concursos, chegou a Professor titular da Cátedra de Cirurgia, sendo reconhecido como grande especialista em cirurgia. Foi Professor Titular da cátedra na Faculdade de Ciências Veterinárias da UNLP até 1985, ano da sua aposentadoria.

Foi assessor técnico de Von Franken, Chefe do Serviço Veterinário do Jardim Zoológico da cidade de La Plata por 28 anos, realizando intervenciones cirúrgicas em girafas, dromedários, tigres, leões, ursos, entre outros. Atendeu gratuitamente os animais dos mais importantes circos, entre outros circo Sarrasani, Real Madrid, Thini, Gran Rodas que atuaram em La Plata. Trabalhando no Zoológico de La Plata criou em 1971 o primeiro serviço de guias em zoológicos do país e, em 1972, o primeiro zoo infantil.

Paralelo a estas atividades, realizou operações em importantes criatórios de bovinos sem cobrar honorários, entretanto, como recebia diversos convites para ministrar palestras e cursos de cirurgia fora do país, em várias ocasiões realizou essas viagens, ajudado economicamente pelos proprietários dos rebanhos que atendia gratuitamente.

Foi um dos pioneiros no início da Buiatria, quando nas décadas de 60 a 70 começam os cursos de Buiatria na Facultad de La Plata, associando-se aos excelentes professionais do Uruguai, onde teve início os famosos cursos de Paysandu, desenvolvendo cirurgias em conjunto com Dr. Queirolo e com outros colegas latino-americanos, apoiados na figura do Dr. Recaredo Ugarte que, com seu trabalho e entusiasmo, reuniu por muitos anos os melhores especialistas de mundo nos cursos de Paysandu.

Foi Presidente da Associação Latino-americana de Buiatria en 1978 e Presidente Honorario da Sociedad Mundial de Buiatria.

Amante do campo e dos animais não pode resistir à atração da poesia, da fotografia artística e da gravação de programas de televisão. Organizava com os estudantes e sociedades protetoras matérias para o jornal El Día, que compunham um programa para “prevenção do animal abandonado”.

Escritor de décimas sobre as lendas de alguns animais autóctones de La Pampa, pouco antes de sua morte havia concluído a edição de um livro de poesias titulado “Cuentos del abuelo Pablo a la sombra del caldén”.

A seguinte reflexão era repetida em suas aulas de cirurgia como poesia:

“La jeringa es importante
nadie lo puede negar
pero hay que saberla usar
en anestesia venosa
pues se hace brava la cosa
si te llegas a pasar.”

O Dr. Videla foi um boêmio desta maravilhosa profissão, viveu trabalhando com grande entusiasmo, transmitia a seus estudantes seus conhecimentos de forma exigente, possuía um dom especial para a cirurgia, viveu e morreu humildemente. Faleceu em 21 de dezembro de 1998, deixando aos que o conheceu um grande exemplo de homem íntegro, dentro e fora da universidade.

Finalmente, um testemunho de seu aluno, o médico veterinário José Luís Fássac que o recorda com estas palavras, que refletem a qualidade como docente deste ilustre buiatra argentino: “O Doutor Pablo Videla teve plena consciência e mostrava, de maneira prática, como iríamos desempenhar nossas atividades, as limitações e a luta que nos esperava no campo real da batalha, o consultório médico veterinário. Foi o primeiro cirurgião veterinário de fama internacional que conheci. Sua vida foi ensinar e quando não pode mais ensinar sua vida se apagou. Tinha paixão por ensinar e se desdobrava para fazer-nos crescer e crer”.